Você que exporta e necessita que sua mercadoria chegue ao destino final com o menor custo possível e em um menor tempo, provavelmente você aplica a logística para conseguir êxito em suas operações, no entanto, você acaba se deparando com os gargalos que encarecem os valores dos produtos, diminuindo assim a competitividade de sua empresa no mercado internacional.
Mas afinal, o que são os gargalos?
Os gargalos são todos os fatores que geram dificuldades nas operações, são entraves que influenciam no andamento dos processos, são as deficiências encontradas no decorrer dos processos, e estes gargalos atingem empresas brasileiras de vários seguimentos e regiões.
Estes gargalos podem surgir em qualquer etapa das operações, resultando no encarecimento dos produtos exportados, na redução da lucratividade da empresa exportadora e, consequentemente, redução da competitividade.
Para que sua empresa não corra o risco de ter um mal desempenho em seus processos de exportação, encarecendo o seu produto, se faz necessário identificar quais são estes gargalos e quais são as soluções cabíveis para minimizá-los, possibilitando assim alcançar o aprimoramento dos resultados.
Neste artigo apresentarei a você quatro gargalos existentes nas exportações brasileiras e possíveis medidas que podem ser adotadas para melhorá-los.
1- Infraestrutura no transporte de cargas e o elevado custo dos transportes doméstico e internacional
Um dos maiores gargalos na exportação brasileira é representado pelo transporte de cargas, uma vez que a infraestrutura no país é bem limitada e até perigosa. Não é tarefa fácil embarcar mercadorias para exportação, e os meios físicos para escoá-las não evoluíram.
As empresas ainda são muito dependentes do transporte rodoviário. O transporte ferroviário seria uma excelente alternativa, mas nossa malha ferroviária é pequena e há ociosidade dos trilhos existentes, sem falar que no país há um desestímulo muito grande em construir novas ferrovias. O sistema é ultrapassado e há carência de integração com os outros modos de transportes, portos e aeroportos do país. Há uma necessidade urgente de tornar nossa malha ferroviária viável, com investimentos para sua expansão e modernização.
Em relação aos nossos rios, não há o aproveitamento necessário para a criação de hidrovias que poderiam auxiliar no escoamento das mercadorias.
Para os portos brasileiros há a falta de investimentos na infraestrutura. Suas estruturas são obsoletas, as operações são ineficientes, há a falta de dragagem e as tarifas portuárias são caras.
Já o escoamento de produtos por aeroportos esbarra no alto custo do frete aéreo, além da burocracia que impede a agilidade do escoamento.
A matriz de transporte no Brasil continua sendo o rodoviário, mas os altos custos do frete encarecem o preço dos produtos transportados, pois a precariedade das estradas brasileiras, por não serem asfaltadas a maioria delas, e as que são estão em má conservação, influencia diretamente no desempenho das frotas de caminhões, encarecendo assim a sua conservação, gerando desgastes excessivos de peças, aumentando assim o custo dos fretes, e este adicional de custo acaba sendo repassado aos produtos transportados, sem falar na questão dos riscos de roubo e furto que acontecem nas rodovias brasileiras.

2- Taxas em Portos e Aeroportos
Segundo o estudo “Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras”, realizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), em parceria com a FGV EAESP, e que foi divulgado em dezembro de 2018, as tarifas cobradas por portos e aeroportos são apontadas por empresas exportadoras brasileiras como o problema mais crítico para as operações no comércio exterior, que impactam diretamente no preço dos produtos a serem exportados.
3- Alta carga tributária
De acordo com o mesmo estudo, mais de um terço das empresas consultadas considera crítica a carga tributária existente no país. Mesmo existindo mecanismos de redução tributária como o REINTEGRA; o ressarcimento de créditos federais e estaduais; e o drawback suspensão e isenção, 30% das empresas entrevistadas não utilizaram nenhum instrumento de redução tributária no último ano e as que utilizam muitas vezes se deparam com a complexidade dos mecanismos de redução tributária e da dificuldade de ressarcimento de créditos tributários.
4- Burocracia alfandegária e aduaneira
Há uma falta de padronização dos procedimentos de desembaço das cargas somadas ao elevado tempo do processo de despacho e fiscalização das cargas. A duração dos procedimentos alfandegários e aduaneiros acabam gerando custos altos para as empresas exportadoras.
Como melhorar os gargalos existentes nas exportações brasileiras?
É extremamente necessário o setor público injetar investimento para solucionar os gargalos existentes nos processos de exportação, visto que muito pouco tem sido feito.

Há a necessidade das instituições privadas se mobilizarem junto aos órgãos públicos para que este possa alocar recursos para a expansão e modernização dos sistemas de transportes rodoviários, ferroviários, portuários e aeroportuários. É imprescindível expandir nossa malha ferroviária e torná-la viável, integrando-a com as outras modalidades de transporte, portos e aeroportos. É preciso mudar a nossa matriz de transporte doméstico.
A iniciativa privada precisa continuar apresentando aos poderes públicos medidas necessárias para a expansão de nossa economia, mas também tem o dever de cobrar a concretização dessas medidas.
É importante também as empresas buscarem alternativas de transportes mais baratos. As empresas brasileiras vêm redescobrindo a navegação de cabotagem, uma alternativa mais econômica em relação ao transporte rodoviário, e sua utilização aumentou significativamente após a paralisação dos caminhoneiros ocorrida em maio de 2018, com o tabelamento do frete, mas ela ainda precisa ser mais utilizada.
Para melhorar o escoamento das cargas é preciso formular e executar políticas capazes de unir os interesses públicos e privados. Realizar um trabalho rigoroso para a desburocratização dos processos, implantando soluções tecnológicas avançadas. O governo brasileiro precisa disponibilizar uma infraestrutura mínima necessária para que se possa escoar os produtos brasileiros destinados à exportação.
Está sendo de grande valia a implantação da DU-E através do Portal Único de Comércio Exterior, e também dos acordos bilaterais assinados com países como Chile e Peru, mas ainda há muito o que se fazer perante o nosso comércio exterior.
Como visto os gargalos existentes nas exportações brasileiras são inúmeros e para melhorá-los depende de investimentos concentrados e efetivos do poder público e uma participação mais ativa da iniciativa privada.