Em qualquer processo de importação de produtos pode haver imprevistos, afinal imprevistos acontecem, mas há riscos que podem e devem ser evitados pelo profissional de comércio exterior, ou pelo menos minimizados, para não se gerar atrasos, custos extras, prejuízos e até perdas.
Mas como você pode evitar riscos desnecessários em suas importações?
Primeiramente, você precisará planejar todo o processo, desde o seu contato com o fornecedor internacional até a chegada do material dentro da sua planta, pontuando todas as possibilidades de possíveis erros, e para isso você terá que ter muita atenção, organização e controle de todas as etapas de sua importação para se garantir êxito no final de cada operação.
Há alguns pontos que são cruciais e que o cuidado dever ser redobrado. Mantenha sua total atenção para os 4 principais entraves de uma importação:
1- A Documentação
Um documento mal elaborado poderá gerar para a sua empresa atrasos e custos extras. Portanto, é muito importante que a documentação de sua importação esteja de acordo com a legislação brasileira. Atente-se para a quantidade do material, descrição completa do produto e a NCM correta, preço unitário e total da mercadoria, dados completos do Importador e Exportador, dados da carga como peso bruto, peso líquido, quantidade de volumes e dimensões.
Confira cada documento que irá liberar o Despacho Aduaneiro de seus produtos. Lembre-se de que a Invoice deverá estar devidamente carimbada e assinada pelo Exportador.
Verifique se o seu produto precisará ou não de licença de importação. Caso necessite, confirme se a licença deverá ser pré-embarque ou pós-embarque.
Atente-se para que sua mercadoria saia da origem com Invoice, Packing List (Romaneio de Carga), Certificado de Origem, etc.
2- NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul
A NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul é representada por um código de oito dígitos que tem a finalidade de identificar a natureza dos produtos. Este código é adotado por todos os países membros do Mercosul e tem como base o método internacional de classificação de mercadoria, o SH – Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, que contém uma estrutura de códigos com a descrição de características específicas dos materiais.
É através da NCM que você irá analisar se a sua mercadoria a ser importada necessitará ou não de Licença de Importação (LI) e é também através da NCM que você fará o levantamento de todos os tributos que deverão ser recolhidos, respeitando a legislação tributária e garantindo a possibilidade de aproveitar benefícios fiscais, lembrando que a classificação fiscal dos materiais também é utilizada para fins de controles estatísticos e para determinar o tratamento administrativo e controle aduaneiro.
Classificar o seu produto de forma correta é item prioritário para que a sua importação possa vir a ser bem-sucedida. E para isso você precisa de muito cuidado no momento em que for classificar a sua mercadoria. Não vá classificando baseando-se no seu “achômetro”. Procure ser cauteloso(a) nesta hora. Antes de classificar o item tenha certeza de que você está de posse de todas as informações como descrição completíssima e foto do material, informações técnicas, ou seja, tudo que possa lhe ajudar a classificar a sua mercadoria de forma correta.
Se você achar que mesmo estando com todas as informações em mãos você ainda tem dúvidas, então peça ajuda. Entre em contato com o seu Despachante Aduaneiro e peça ajuda, mas não classifique o seu produto se não tiver totalmente seguro.
3- Tributos
A carga tributária que incide nas importações brasileiras é bem alta, portanto, é de suma importância que antes de concretizar uma importação que você faça o levantamento de todos os impostos, taxas e tarifas que incidem sobre a importação de sua mercadoria.
Não deixe o departamento financeiro de sua empresa ser pego de surpresa. Faça um trabalho em conjunto. Providencie uma estimativa de custos, faça com que o setor financeiro participe de cada etapa do processo de importação, lembrando que material parado em Porto e Aeroporto geram custos extras com armazenagem, encarecendo ainda mais o seu processo.
4- Processo logístico
Por último, porém não menos importante, está o processo logístico que pode ser um problema para o seu processo de importação se não for realizado com muito planejamento, pois uma pequena falha poderá lhe causar atrasos na entrega da carga, elevando assim os custos finais de sua operação.
Portanto, antes do material sair do Exportador confirme peso, volume e dimensões finais da carga e verifique qual modalidade mais adequada para ser utilizada na operação. Faça um levantamento de CUSTOS versus PRAZO DE ENTREGA. Atente-se para possíveis questões que poderiam inviabilizar a operação como restrições climáticas para movimentação rodoviária da carga, restrições de pesos e volumes, sem falar na questão dos riscos extraordinários, como guerra civil ou estrangeira, revoluções, terremotos, furacões, inundações e outros fenômenos da natureza, greves, lockouts, comoção civil, tumultos, etc.
Como visto, apresentei a você 4 riscos cruciais que podem trazer atrasos e prejuízos para o seu processo de importação se não houver um bom controle, planejamento e acima de tudo organização, mas ressalto que há vários outros riscos que precisam e devem ser antecipados ou minimizados por você.
O importante é que você tenha sempre em mente que imprevistos sempre irão acontecer, mas que você tem em suas mãos o poder de se antever, de se precaver, portanto, faça sempre uso do bom e velho amigo Check List, enumere todas as etapas do processo, analise todas as possibilidades, acompanhe todo o processo, e havendo dúvidas, não hesite, peça ajuda.
E você leitor (a), faz uso do Check List em suas operações de importação? Já se deparou com algum risco que gerou atraso ou prejuízo ao seu processo? O que você faz para se antecipar aos riscos em suas importações? Contribua com o debate nos comentários.